terça-feira, fevereiro 08, 2005

Quando o amor é um acidente.




Uma música perfeita é preenchida não somente de sons, mas também de pequenos silêncios. É pelo seu vazio que um vaso é útil. O desejo nasce pelo "vázio" do não-ter. O vázio da ausência dá origem as saudades. O vázio da saudade, aumenta a paixão dos amantes.

A certeza de um bom filme está quando a fita se estende em nossas próprias vivências. Mas nunca há "slow-motion" e trilhas musicais lindas. Há só o vázio e a saudade tocando no fundo da alma.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Quem sou e o que eu quero




Eu sou o repórter noir. E você quem é? Um leitor comum ou alguma espécie de crítico-stalker? Saiba que não me importo os motivos que te levaram até este lugar. Gostaria apenas que percebesse que aqui sou livre e tenho asas para voar por lugares que talvez esteja fora do seu universo. Antes que me rotule de "grande bosta" ou "bela porcaria", saiba que não é nada pretensioso de minha parte. É tudo um faz-de-conta. E dos piores mesmo.

Gosto de acreditar que sou um sonho, um desejo enrustido, um entusiasmo adolescente do que seria um jornalista ideal. Claro que o mundo jamais me pagaria por meu estilo tão "especial". O que acredito é que estou fora de tudo, principalmente da realidade. E é pelo devaneio literário que me fascino. É através dele que transformo-me no que não sou.

O fato é que odeio o atual modo jornalístico. Odeio todas as teorias de comunicação. Odeio o lead na ponta das língua bífidas e sem criatividade. Considero boa parte do que leio, algo vazio e enfadonho. Claro que com isso, posso ser alvo de toda espécie de cometários cretinos. Para estes, digo: meta-se em seus livros e eu, meto-me nos meus. Mergulhe em suas próprias fezes e deixe-me mergulhar nas minhas. Escreva conforme as formas do texto normal e aceitável. Acompanhe a multidão peregrino, se for o seu desejo.

Mas se quiser conhecer outras mentiras, aqui estou. Deixe para mim apenas a parte podre da maçã. Será um prazer comer seu lixo e regurgitá-lo como escrita. Porque almejo o não romântico, o não glamouroso. Minha pequena e pessoal vingança. Meu ódio de estimação. Minha loucura particular.

Noites frias ou quentes. Literatura. Bares fétidos. Filmes obscuros dos anos 40. Crônicas cruas, vindas da realidade "navalhenta". Jazz music. Trip-Hop. Mulheres das noites. Bêbados nas ruas. A cidade com seus enredos insanos. Os ônibus entupidos de pessoas-estórias. Submundo: real e digital.

Eu sou o Repórter Noir: triste ou alegre, cinza ou colorido, encharcado de bebidas e adjetivos. Na chuva e no sol, observando o desenrolar de uma novela sem fim. Observando e redigindo, a mentira e a loucura do viver.
 
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