terça-feira, setembro 26, 2006

"Segunda-feira de calor na Bahia"






















Ao som de Johnny Cash, “Help Me”.


Olhe o calor novamente. É sempre nessa época que tudo acontece. É sempre no mesmo período que tudo muda. Os anos passam e passam, mas não é bem com as rugas que estão minhas preocupações. Não é o acumulo de dias ou quanto falta para minha morte. Nada dessas coisas que vivem a azucrinar o coração das pessoas, que se preocupam o mínimo que seja com seu futuro mortal. Nomes como “dor”, “desespero” ou qualquer adjetivo que se relacione ao fato de que, não é nada fácil dizer: eu estou ficando velho e eu não consigo acompanhar esse mundo!!!



É o calor novamente, que traz sempre as mesmas mudanças na mesma época. E se são as mesmas mudanças, então não há merda de mudança nenhuma acontecendo aqui. Então tomo um café, que faz o cérebro ficar igual a uma colméia de abelhas. Faz ficar sem pregar os olhos e ver esse mesmo Sol vir impiedosamente, te dizer que o dia vem vindo e você vai perder metade dele. Mas todo dia é exatamente igual ao anterior. Ao menos de cima de um prédio... Ao menos de cima de sua vida medíocre.

Rastreio em todos os lugares. Acontecimentos. Pessoas. Estou louco. Tela branca no peito.
"Segunda-feira de calor na Bahia". Ponha nos sites de buscas. Eu não estou mentindo. Escreva exatamente: "Segunda-feira de calor na Bahia". É a primeira noticia que leio. Não percebo como acordei tão tarde. O relógio, a cada segundo, me insulta de atrasado. E em parâmetros diversos, em comparações mil, estou mesmo. O coração se torna uma lama fétida. Torna-se escuro e sem direção exata, numa "Segunda-feira de sol na Bahia".

Onde estou, é um castelo minúsculo, com paredes mofadas e descascadas. E assim que o dia nasce, ninguém mais consegue dormir por aqui. Ninguém consegue mais sonhar em melhores maneiras de sumir. É um castelo minúsculo, mas com uma janela muito transparente e enorme, aonde o majestoso Sol chega forte, depois de viajar quilômetros de distância, para acordar quem estiver dormindo. É o mesmo Sol que faz essa "Segunda-feira de calor na Bahia", o titulo da primeira noticia que li hoje.


A gente se farta de estar vivo às vezes. Se farta de nada ser como realmente gostaríamos que fosse. Se morde de raiva pelas minúsculas dificuldades que nunca conseguimos solucionar. Mas eis que sempre tem um amanhecer. Eis que sempre o maldito Sol vai raiar quer seu corpo queira ou não. Ele vai estar ali na mesma hora e local todos os dias. E, mesmo que todos recusemos, lá vamos nós viver aquele dia regido por seu caminhar no espaço. Vagaroso e quente. Oh, mais esses dias, ele faz questão de provocar os poros e inundar nossas camisas de suor... E Salvador, terá Sol. E ele vai estar em todos os lugares, motivando as pessoas, dando um toque diferente nesse primeiro dia da semana. Mas seus raios não chegarão ao meu coração úmido. Ele não chegará nunca...


E a tarde vem devagar também. E chove. Mas não são gotas de chuva que caem agora. São lagrimas doces e frias vindas de anjos tristes. Assim me disseram isso ao menos, um dia quando criança. E talvez seja vergonhoso dizer que talvez, eu ainda acredite nisso. E o que me faz feliz é saber que o mesmo sol que te beija a face, queima também meu couro cabeludo. Que o mesmo luar que te acalma a alma, destrói meu cérebro com lembranças. Sei que nada tem haver uma coisa com a outra, mas é assim que relaciono tudo em minha consciência.


E no banheiro, água fresca cai sobre meu corpo. Ao menos aqui dentro, deste pequeno castelo mofado, é uma tarde tão agradável e morna!!!
 
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