
Em algum bairro pobre de Camaçari, uma senhora no alto dos seus 70 anos é roubada por um alcoólatra violento. Raiva, desespero, tristeza. Quem passou por um assalto e ainda sofre agressões, sabe o quão dificil é. E isso fica pior quando, o próprio marido é o autor da maldade.
Hoje, em especial, é um dia quente. Um dia em que nenhuma nuvem nos céus deixou o azul anil resplandecer vivo, durante as horas que o sol impera. E foi nessa tarde quente, que essa mesma senhora percorreu à pé, cerca de 3Km até a delegacia. Além de Deus (à quem clama pela realização dos seus poucos e humildes desejos), confia na justiça dos homens (um de seus motivos de ir realizar um boletim de ocorrência contra seu companheiro). Depois de relatar seus agravos e injúrias ao policial plantonista, ganha do mesmo um brinde em forma de comentário desrespeitoso:
- Tá vendo minha senhora, vai se meter com garotão, olha no que dá!!!
Um bom filho da puta tem vários nomes. E todos os sinônimos que existem para definir a alma sebosa que é um policial cívil sem respeito e sem compaixão pelo próximo, são minimas, diante da sua falta de ética, de apreço ao próximo. O que isso provocou na senhora, já desrespeitada por aquele que ela mesma escolheu como uma boa companhia espantar a solidão e dividir o leito?
Seus olhos velhos e murchos olharam para as outras pessoas do recinto, mortos de vergonha . Abaixou a cabeça, apertou o lenço branco nos cabelos e voltou para seu martírio pessoal: sua vida de casada. A última imagem em minha retina é de uma silhueta curvada pelos anos acumulados, parada ao portão da delegacia, olhando o mundo e aquela tarde quente inesquecível. Nas mãos enrugasas, a queixa. Na pele, o sol da tarde caustica, que à envolvia novamente.
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