sábado, agosto 05, 2006

O que não encontro






O mundo passa diante dos meus olhos numa tela de vidro e plasma. Lá fora, o som de chuva forte no asfalto é a trilha sonora de uma noite que começa. Dentro de mim há medo e ressentimentos. Quero os meus pensamentos aquietados. E queria aquietar as angustias dos que me são próximos. Dos que buscam a paz em meu peito. Quero alivio para uma culpa que pesa em meus ombros. Quero cessar o choro e o ranger de dentes que escuto á quilômetros daqui.

Mas tão facilmente me decepciono. Tão facilmente me amedronto com as atitudes erradas! Queria dormir tranqüilo e confiar. Queria repousar na candura de um amor maternal. Queria a sinceridade (mesmo a dolorosa) deitada ao meu lado. Queria compartilhar meu possível gosto por arte, sem medo de ser sensível. Sem me importar com rótulos feministas ou machistas. Sem me importar com os rótulos da musica. Sem me importar com o que cada palavra pode significar. Sem me importar com o que cada antigo nome pode trazer de lembranças.

Porque sou agradecido tanto às pessoas que me fizeram rir, quantos as que me fizeram chorar. Entrelacei minha vida com muitos. E tudo foi bom. Tudo foi erro. Tudo foi acerto. Tudo foi vida fluindo no momento. Fluindo de forma feia e bonita. Como a vida deve ser. Como naturalmente ela se constitui. Sem medo de ser nomeado como coisas negativas. Viver é escrever sem borracha...

Não quero pisar macio no chão, como se houvesse um medo de acordar uma pessoa que pode acordar muito mal humorada com um mínimo de ruído. Viver pode ser muito mais tranqüilo e contemplador do que se pode imaginar. E acredito que no amor, deve existir compartilhamento. De carinhos, de idéias, de memórias boas, de memórias ruins, de alegrias, de tristezas, e principalmente: de desejos realizados ou que se queiram realizar. Pois no amor, o amor verdadeiro que se confunde a amizade com o prazer sexual, nada é feio. Nada é nojento. Nada é grotesco quando há ternura. Nada é sujo quando há ternura!!!!

E ternura, é tudo o que não encontro...

sexta-feira, julho 21, 2006

Verdadeiros Animais









Aisha, minha gata de estimação mezzo Siamês, mezzo Persa, fez uma cirurgia de emergência por esses dias. Seus filhotes morrerem ainda na fase de gestação, transformando-se de "futuros gatinhos mimosos" a "quatro pequenas múmias felpudas e de olhos azuis". Sem conseguir nem ao menos abortar, tive que leva-la ás pressas para uma clinica veterinária, para o procedimento cirúrgico que iria retirar os cadáveres de bichos de pelúcia.

Enquanto a levava, pensava nos meus antigos bichos, em como cada um deles fundiu sua existência rápida e serviçal com a minha. Em como, desde a fase de criança, aprendo a lidar com as perdas e com as frustrações. É por isso que dizem ser necessário uma criança cuidar de um animal. É uma simulação viva para aprender sobre amor ao próximo, responsabilidades e até mesmo o ódio.

Apreensivo, aguardei o termino da cirurgia na sala de espera. Havia quadros pintados a mão, onde os temas caninos reinavam. E havia também uma enorme figura do mapa mundi emoldurada, com a representação gráfica de cada pais e seus respectivos cães e gatos de origem. Lembrei-me de Kiko ao ver a Inglaterra com seu famoso cão de caçar lebres, o Beagle.

Kiko era um filhote de Beagle quando chegou na minha casa, lá pelos meus 13 anos. Animal valente, camarada e afetuoso. Nadávamos juntos num lago perto de minha casa e apesar do seu tamanho mediano, era forte o bastante para me levar nas costas nadando. Tinha uma imponência a ponto de se achar o dono da rua. O que lhe valeu duras surras de cachorros de porte gigante. Mas ele sobreviveu a inúmeras brigas e atropelamentos. Por 14 anos viveu em minha casa e dormindo em sua velha poltrona no terraço. E nessa mesma poltrona o encontrei morto, quando cheguei do trabalho numa tarde quente e ele não me respondeu aos assobios habituais. Meus 24 anos vieram abaixo, junto com lágrimas fortes...

Ajoelhado perto do seu corpo, me lembro que disse "Muito obrigado" e repeti isso uma centena de vezes bem próximo a sua orelha grande e fria. Estava profundamente triste, mas agradecido por ter me dado um bocado de alegrias. Principalmente na fase de adolescência, que foi muito dura e solitária. Meu irmão e eu o enterramos no quintal e até hoje ele está lá na casa de minha mãe. Tenho comigo um tufo de pêlos dele guardado num potinho preto de negativos de fotografias. Em algum lugar eu li sobre uma clinica nos EUA que fazem clones de animais de estimação por R$23, 000 a partir de um misero pelinho. Quem sabe eu não tenha dinheiro suficiente para isso um dia...


É justamente disso que trata "Verdadeiros Animais" da americana Hannah Tinti. Ela conta-nos 11 estórias onde homens, mulheres e animais são a mesma coisa. O mesmo universo de sentimentos, ressentimentos e desejos. É uma leitura daquelas com clima estranho e onírico. Um livro onde reside uma beleza sem precedentes de detalhes sórdidos e delicadamente cruéis. Delicadas como feridas abertas por todo o corpo, mergulhado numa banheira de sal grosso. E Hannah consegue como ninguém mostrar até mesmo a violência delicadamente. Consegue tecer palavras que cortam como facas de açougue e nos levam a situações desconcertantes. Tão desconcertantes quanto ver o bizarro abatimento de porcos, galinhas e bois.

Terminei a leitura na recepção, esperando Aisha acordar da anestesia. Fui vê-la assim que acabou tudo. Seu pêlo creme estava meio que molhado de éter. Fez-me lembrar Buster, o cão Labrador do senhor Mitchell, no conto "Lar, doce lar". Sua língua estava para fora. "Lulu", a girafa suicida e que tem visões, me vem a mente. "Aisha deve estar tendo sonhos bastante surreais nesse momento", penso comigo mesmo. Mas "o sonho se desmorona" e Aisha acorda. Ela me reconhece e mia fraco. Pago a conta e saio andando com o transportador de gatos na mão esquerda. Ela volta a dormir. E eu a sorrir...









Livro: VERDADEIROS ANIMAIS
Autor: Hannah Tinti
Tradução:Ryta Vinagre
ISBN:85-325-1825-7
Páginas:200Formato : 14x21
Preço : R$ 31,00

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quinta-feira, junho 08, 2006

Eu preciso de imersão para a escrita. Sempre. Deve haver musica e lugar adequado, pois sem isso, nada sai. Sei que é uma "frescura" a qual devo largar de mão com urgência. Mas, não minto ao dizer que gosto e consigo escrever fluentemente apenas quando me sinto péssimo. Ou seja: algo de interessante aos meus olhos, surge apenas quando algum mal me assola dentro das ações eletroquímicas do cérebro. Então descubro o quão difícil é, escrever sem vontade ou inspiração!!!...

Mas deve haver persistência em tudo. Deve haver algum "desentupidor de sentimentos", um desencadeador de palavras que formam as frases perfeitas. E sentimentos negativos darão vida a textos que não brotam. Os sentimentos negativos farão germinar letras nas pontas dos meus dedos. Adequadamente. Elegantemente. E a falta de assunto para uma crônica qualquer, talvez brilhe e se transforme em algo razoavelmente bom de pôr os olhos por alguns minutos.

quarta-feira, maio 31, 2006



Há sonhos que surgem ao sabor intoxicante e transparente de escapamento dos ônibus coletivos. E eles tecem momentos extraordinários, de extrema beleza, mas sempre de curtíssima duração.

O fato, é que todas as vezes que ela entra no ônibus, posso sentir seu perfume. Mesmo que eu esteja nas primeiras cadeiras dormindo, com a cabeça recostada no vidro da janela. Mesmo assim posso acordar ao sentir aquele cheiro, que se mistura ao odor do diesel desse transporte popular tão decrépito.

Todos os dias ela está com o mesmo uniforme, o mesmo batom vermelho nos lábios miúdos e o mesmo salto atado ao seu tornozelo. Com um rosto serio, como se odiasse o seu trabalho e acordar todos os dias tão cedo, ela retira o dinheiro da bolsa, entrega ao cobrador e ultrapassa a catraca. Feliz objeto esse, que diariamente toca seu formoso corpo e que eu o invejo profundamente.

Tão apática e sensual tão triste e sedutora! Senta-se na mesma cadeira, saca sua bolsa preta e pega um batom, passando pelos grossos lábios. Tem uma extrema técnica para aquilo. De uma só vez, contorna de forma perfeita sua boca. Mesmo com o ônibus em tão rápido movimento, mesmo sem espelho, chacoalhando pelas ruas estreitas da cidade suja. Teria ela consciência do modo fatal que faz isso? Teria ela consciência de sua voluptuosidade mortal?

Ela tem algo de superior naqueles olhos de pupilas pretas. Olhos que nunca percebem minha presença, nem de qualquer outro homem rude que a queima com olhares indecentes. Seu olhar é morto, mas de uma sensualidade fora do comum. Seria necrofilia ter desejos tão ardentes por aqueles pares de olhos tão venenosos?

Gosto de observar suas unhas, nem grandes e nem pequenas, esmalte vermelho que reluz com o brilho da manhã. Gosto quando senta na minha frente e abre a janela, deixando o vento poluído da cidade tomar conta de seus cabelos. Às vezes eu os toco com as pontas dos dedos, de leve, para ela não perceber e me achar um louco fetichista. Talvez no fundo eu até seja. Mas quem se importaria com essa "pequena indecência"?


Mas há esse problema com o pessoal dos transportes assolando a cidade por esses dias. E não vê-la, é para mim, o único real transtorno que essa greve me provoca. Mas aqui estou eu. Torcendo pelo sindicato dos rodoviários entrarem logo num acordo... Para que o sonho volte a sua regularidade habitual.


segunda-feira, dezembro 12, 2005

"E se eu daqui a uns dias disser que estou bem, será mentira. Se eu disser que vi o pôr-do-sol e fiquei feliz, será mentira. Até se eu viajar pra Europa e disser que lá é tudo lindo e está sendo uma viagem maravilhosa, será mentira. E no natal, quando eu estiver tocando violão com minha família, quando eu sorrir, será mentira. Se eu passar na UNICAMP e for comemorar, será mentira. Infelicidade. Esse texto é mesmo feio. Foda-se o poder criativo da dor."


Eu não sou o único que enlouquece sozinho nessa cidade. Porque há um poeta morto observando a dor do mesmo angulo que observo...

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Na difícil companhia de mim mesmo




A noite é dos errantes sem rumo. É para aqueles que se destroem e que acreditam que um amanhã jamais chegará. A noite pertence às almas condenadas à solidão do não amor verdadeiro. Pertence aos diversos desafortunados que rondam as zonas de baixo meretrício. A noite não é bela para quem definha. Seu brilho fraco, sua brevidade...Ela nunca foi uma criança, mas sim o rápido entorpecimento do clorofórmio. Ela nunca foi algo poético...Não a noite que eu conheço, não a noite dos viciados em todos os lixos sexuais e químicos. Não há glamour para os que ardem de dores de amor com seus copos de conhaque em punho...E eu tive o desprazer de conhecer a noite dos perdedores, dos que buscam o mal para aplacar seu próprio mal. Fui buscar estórias, mas não era necessário: eu era um resumo "virginal" de todos os costumes condenáveis! Eu era uma estória estúpida de amor burro e vacilante. Tão simples...Tão medonhamente simples, tão pungente, tão digno de pena...

Não era preciso correr pelas ruas, conhecer pessoas subumanas, que por qualquer motivo trágico se encontram nesse estado. Não, não precisava. Eu era a coisa mais patética desse universo. O presunçoso, certo que ia se dar bem. Em sua megalomania amorosa, tendo todas as espécies de sexo feminino ao seu bel prazer. Mas, a força que rege nossas ações, o grande roteirista dos filmes que são nossas vidas, mudou por completo a cena, e me pôs no meu devido lugar: na difícil companhia de mim mesmo. Na dolorosa convivência com um homem que beira os 30 e ainda não amadureceu por completo. Apenas o meu mais solitário eu, num isolamento estratégico devido a fatos financeiros que me prendiam a um apartamento, numa prisão sem grades. Conhecendo facetas minhas que até então desconhecia por completo: me tornei o carcereiro de mim mesmo.

Tenho gotículas salgadas nos olhos. Elas brotaram há pouco mais de uns 10 minutos. A percepção do vazio, de que finalmente você chegou aonde mais temia. Apenas você e você mesmo. Você e seu mau hálito. Você e seu cabelo despenteado. Apenas você amando você mesmo. Destino solitário ditado em cartas de baralho velhas. Tomando um café extraforte que reativa memórias que te matariam se pudessem. Então, aqui estou. Pensando na escassez das palavras doces dirigidas a mim. Na impossibilidade de encontrar algo que se importe realmente. Nas pequenas revoluções em minha cabeça que me puseram aqui.

Não se deve esperar por nada. Deve-se cultivar a solidão. E a venenosa solidão me persegue...Tomou-me como seu amante, e vai estar comigo até meus ossos virarem pó...A megera solidão que me tomou da vida normal e feliz, que me prende numa sexta-feira á noite dentro desse apartamento com vista para toda a cidade que suou num dia que foi tão quente. De onde vejo cerveja borbulhante e risos alcoólicos. Prédios que anunciam o triste natal com seus piscas-piscas modernos. A lua cheia e gorda de devassidão branca, com sua luz que derrama a luxuria de alva seda sobre as cabeças de damas noturnas. Pentecostes dos devassos!
Não há mais nada a fazer. Apenas tentar dormir ao som de Erik Satie e seu piano amargo. Adormecer lendo algo de Florbela Espanca ou Baudelaire. Mas antes, uma ultima respirada para encher bem forte os pulmões pela janela. Ter um ultimo pensamento na prisão do agora e observar a sombra de todas as más ações que perdurarão para todo o sempre...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

O homem com uma dor




Ele tem um coração frágil, espetado por milhares de carrapichos secos. Sua alma está sempre de negro e sua mente fervilha com pensamentos confusos e angustiantes. Não consegue mais enxergar a magia do viver, só percebe os detalhes tristes nos lugares por onde anda. Mesmo o canto do mais raro pássaro do mundo, lhe soaria mórbido e sem esperança. Oh deus, eis o elegante homem com uma dor...

E o homem com uma dor (uma dorzinha infinita e agudamente dilacerante), tem muito mais desenvoltura ao se dopar de vinho...Mesmo bêbado, tem muito estilo. Veste-se sempre para a noite, pois sua vida é a eterna noite enfumaçada. Veste-se sempre devagar, sentindo intensamente cada peça de roupa que lhe cai ao corpo. Escolhe minuciosamente o que deve usar, sempre o melhor e mais apropriado. Veste-se como se fosse a ultima vez que usaria sua indumentária. Veste-se como se não fosse mais voltar ao seu sujo apartamento. Veste-se como se o amanhã nunca fosse chegar...Mas todos sabem...Ele veste-se para morrer de uma forma elegante, ele veste-se bem...Para a morte. E nunca há ninguém para opinar...

Um homem com uma dor é muito mais elegante porque, por onde anda, vê a vida com seus olhos singelos e sonolentos. Educado e desleixado-sexy. Sim, ele é puro, pois suas magoas e dores de consciência já queimaram todos os seus males que provocou. Ele é o santo da apatia e da amargura, purificado de todos os seus pecados por sua constante dor. Vê as luzes da cidade como pequenos vaga-lumes elétricos refletirem-se nas lentes de seus óculos. Quase sempre com as mãos nos bolsos, caminha pela multidão das ruas ou dos shoppings, olhando os rostos frios das pessoas. Procurando algo neles, algo que acalente seu confuso coração. Algo que responda as suas dúvidas sobre sua existência nesse mundo caótico e solitário. Algo que elimine de dentro dele, a sensação crônica de vazio.

Esse mesmo homem, não tem muitos amigos. Ou estão longe ou ocupados demais para suas lamentações adolescentes. Por isso, tem apenas ele mesmo como amigo e confidente. Namorada e esposa. Amigo de si mesmo. Menino e cão fiel que busca o galho lançado ao longe...Mas, e quando a dor é insuportável? Sai pelas ruas, pega qualquer ônibus, entra em qualquer loja de departamentos, sempre com seus fones de ouvidos, sua trilha sonora intima de Cool Jazz e Trip Hop. E quando a culpa senta-se bem na sua frente, olhando-o profundamente, sugando suas forças, jogando tudo o que fez de ruim para o mundo, transferindo tudo para seu intimo, ele aumenta o volume e usufrui do melhor do jazz mundano, da voz e do trumpete de Chet Baker a cerne noir de Miles Daves. Jazz music: analgésico para dores da alma.


Pela saudade aguda, amarga horrores. Por andar com a solidão ordinária, tem frieza nos lábios e olhos. Mas, e a beleza de sua vida, onde está? Ela esconde-se nos pequenos sofrimentos e desenganos. Na chuva fina que nunca passa despercebida, que lhe resfria o coração. No bondoso Sol que, apesar de toda a lama que respinga de sua alma, ainda o beija a face de forma cândida...Como uma mãe que mima o filho amado...Levemente...Ás cinco da manhã. O mundo é sua prisão...O mundo fechou suas portas para ele. Mas, como todos sabem, existem flores que brotam nos lixos e em beira de estradas poeirentas. E por isso, o homem com uma dor, no alto de sua elegância e olhar blasé, sabe que, no seu coração de esterco, um dia irá brotar a mais bela das rosas! A mais elegante das pétalas! Com a fragrância mais linda do universo...E nesse dia, o homem com uma dor ira descansar em paz e tranqüilidade, pois saberá que ao menos uma vez em toda sua maldita existência, serviu para que algo nascesse de forma pura e embelezasse essa vida feia, que insistimos em viver...





quinta-feira, outubro 27, 2005

Milágrimas





"Um homem com uma dor é muito mais elegante"
Paulo Leminsky









"Em caso de dor, ponha gelo
Mude a cor do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo

Em caso de tristeza, vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente cereja
Jogue pra cima, faça cena
Cante as rimas de um poema

Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço

Mas apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre..."

Alice Ruis

quinta-feira, setembro 15, 2005

Li dezenas de resenhas e criticas de especialistas, inúmeras publicações e sites sobre Sin City. Antes, durante e depois do lançamento do filme aqui no Brasil. Nenhuma me surpreendeu tanto quanto o Carvalho Comix, um aficionado em quadrinhos que se diz "desenhistas por instinto e persistência". Uma surra de toalha molhada em muito pseudo-especialista de cinema e quadrinhos...Uma prova de como os blogs podem ser ferramentas jornalísticas produzidas pelo cidadão comum (Mais que diabos eu quis dizer com "cidadão comum"? Como se jornalistas também não fossem).

sexta-feira, setembro 02, 2005


Espero que tenham percebido que aos poucos, essa casa escura e úmida (que representa fatos e imaginações que se entrelaçam, e dão vida a essas estórias estranhas que aparecem por aqui), vai se acertando, ganhando maturidade, sendo um lugar legal de se olhar, ler algo e cair fora.

Como um bar preferido, um lounge sexy, levemente violento, com pessoas estranhas e solitárias, em mesas com abajures de luz fraca. Apareça sempre que puder, conheça outros malditos e estranhos como você. Faça amizade com aquela garçonete jovem, legal e que masca chiclete incessantemente. Minha intenção com isso tudo, juro por deus, pode rir se assim desejar, é arranjar um emprego.

Hilário, simplório, vago e porque não, inocente. Tudo o que você vê é apenas uma tentativa quase frustrada de ser algo realmente interessante no ambiente literário. Sei que vai ser difícil. Sei que é difícil renovar conceitos criados por mestres como Raymond Chandler ou Dashiell Hammett, mas eu tenho que tentar. É uma questão de paciência, persistência, espírito de luta, loucura, insanidade, literatura de baixo nível, ambientes inóspitos, etc.
 
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